E 2018 finalmente chegou. Não sem antes termos passado 28 dias (desde o triste 13 de dezembro de 2017) tentando responder, nas redes e mídias sociais, à pergunta: “Mas 2017 foi bom para nós?”. Como responder?

De um lado, o chapa-branquismo daqueles para quem a diretoria estará eternamente certa, o presidente é uma segunda vinda de Cristo e o Rodrigo Caetano vai acabar acertando.

De outro, a ranhetice de quem critica até mesmo quando nada está acontecendo, a fúria da oposição e dos rubro-negros com razão de estarem enraivecidos por duas derrotas em decisão no mesmo ano.
Com efeito, os chapas-brancas têm muita razão: a atual gestão transformou o Flamengo em outro clube. Temos dinheiro, recursos, uma sede, um CT e em breve talvez até um estádio. Não é pouco. Cito o mestre João Henrique Areias, que sempre defende o CT + Estádio como sustentação para Ídolos + Títulos na relação com a torcida, sustentáculo de tudo, absolutamente tudo que existe com o nome Flamengo escrito, seja em forja, tatuagem ou crochê.

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Por outro lado, os ranhetas também têm suas razões: como já disse, é totalmente fora do escopo rubro-negro esse negócio de perder duas decisões num espaço de três meses. Outros fatores dão razão aos ranhetas: com efeito, o futebol sofreu um pouco com deslizes de planejamento – a começar pela questão dos goleiros. Não existe um só rubro-negro que não tenha pensado em fazer um despacho num terreiro quando, em meio ao segundo jogo contra o Independiente, o nosso César bateu com a cabeça, dando a entender que sairia de campo. E tome problemas com zagueiros, com atacantes (as suspensões e a suspensão do Guerrero), tome questões de mando de campo, e tome contratações que efetivamente deram errado (citaria o Everton Ribeiro, que ainda pode nos dar algo).

Assim, como responder quanto à 2017? Pode um ano em que perdemos duas decisões ter sido “bom”? Pergunta muito fácil de responder: não, não pode. Não contem comigo para o chapa-branquismo. Mas recorro aos conceitos da neurociência (quando defendem que em alguns sentidos nós não somos, e sim, estamos): o Flamengo ESTÁ bem, mas 2017 não pode SER um ano bom.

“Ah, mais um que apoia a diretoria e que quer nos convencer de que não foi tão ruim assim” – o amigo aí já está pensando. Não, não tenho nenhum vínculo com a diretoria. Meu vínculo é com o Racionalismo Rubro-Negro. Em termos RELATIVOS o ano de 2017 foi melhor do que pelo menos uns 15 anos de nossos 122 de existência. Cito por exemplo 1971, 1973, 1975, 1976, 1977, 1984, 1985, 1988, 1989, 1993, 1994, 1995, 1997, 1998, 2002, 2003 e 2005, anos em que não ganhamos NEM O ESTADUAL. Me abstenho até de colocar anos em que não ganhamos estadual mas nos classificamos para a Libertadores.

Em termos ABSOLUTOS, o ano, sozinho, não foi bom. Este senhor chamado “Bom”, aprende-se nas academias militares, é inimigo do sr. “Ótimo”. Assim seja.

E agora o amigo ranheta pode parar de ler porque eu vou dizer o “mas”. E o “mas” nada ou pouco têm a ver com a diretoria rubro-negra (ou talvez tenha tudo, depende dos pontos de vista). E vamos à neurociência de novo: o ano NÃO ESTEVE bom. Mas SER rubro-negro foi excelente. Mas até aí morreram Tancredo e João Neves (sendo que este último, parece, ressuscitou graças a Melisandre). Ser rubro-negro é a melhor coisa que existe.

Vamos lá: esqueçam que vencemos o Estadual porque este não vale nada. Pensem apenas que ganhamos uma final do Fluminense, vencendo os dois jogos e abrindo mais um campeonato de vantagem sobre o clube que há uns 10 anos se jactava de ter “o maior número de estaduais”. Sério. Até brigavam, escreviam cartas para jornais, defendendo isso. Agora, somos nós. E não fazemos questão – é só para que não seja o Fluminense. Depois, eliminamos o Fluminense de forma épica na sul-americana, empatando o jogo praticamente perdido. Subjugamos nosso rival totalmente este ano. Naquela quarta-feira, vocês lembram, foi muito bom ser Flamengo.

Vencemos o Botafogo num jogo em que um de nossos jogadores deu o drible mais espetacular da temporada. Tivemos nosso Paquetá surgindo para o mundo, o Vizeu milagrosamente fazendo gols decisivos. Tivemos os 3 a 0 sobre o Corinthians – tudo bem, um time de ressaca, mas esse ano eles não terão vitórias sobre nós para contar aos netos, e isso é alguma coisa. Tivemos o regresso de César, naquela defesa de pênalti fantástica em Barranquilla. Tivemos o nosso Rhodolfo fazendo m… mas, de certa forma, mostrando uma vontade de vencer que pensávamos estar perdida (claro, não estou elogiando o episódio, que foi bem contornado, mas o sentimento que levou o jogador a fazer a m…).

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Uma diretoria pode pegar esse parágrafo anterior e elencar no fim do ano como o pacote de conquistas? Certamente que não. Não foi um ano de conquistas. Mas este é o ponto em que eu quero chegar.
Muitas vezes o SER FLAMENGO não necessariamente envolve a conquista de tacinhas ou copos dourados por aí. Não. Muitas vezes basta ao SER FLAMENGO (e ao ESTAR Flamengo) um momento em que ele impõe sua visão de mundo, seu sangue, o momento em que os frutos estão caindo perto da árvore, o momento em que espadas se chocam e ouvimos o barulho disso como se fosse uma sinfonia de Beethoven.

O SER FLAMENGO é muito mais do que um balancete, um cartel títulos, uma sala de troféus. É algo que paira no ar, que mexe multidões como a pedra mexe o lago. Que se espalha tênue, sutil mas ao mesmo tempo docemente brutal. O SER FLAMENGO é algo que ninguém mais possui no mundo, a não ser os rubro-negros.

Logo, malgrado a burocracia ter contemplado Corinthians, Grêmio e Cruzeiro com os principais títulos do ano, o SER FLAMENGO foi possível, sim.

E poder ser e estar Flamengo ainda é o melhor negócio que existe. Um feliz 2018 para todos nós, e que possamos continuar com cada vez mais força com essa história de SER FLAMENGO.

Mas com títulos, por favor. E em letras garrafais.


Gustavo de Almeida é jornalista desde 1993, com atuação nas áreas de Política, Cidades, Segurança Pública e Esportes. É formado em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Foi editor de Cidade do Jornal do Brasil, onde ganhou os prêmios Ibero-Americano de Imprensa Unicef/Agência EFE (2005) e Prêmio IGE da Fundação Lehmann (2006). Passou pela revista ISTOÉ, pelo jornal esportivo LANCE! e também pelos diários populares O DIA, A Notícia e EXTRA. Trabalhou como assessor de imprensa em campanhas de à Prefeitura do Rio e em duas campanhas para presidente de clubes de futebol. É pós-graduado (MBA) em Marketing e Comunicação Empresarial pela Universidade Veiga de Almeida. Atualmente, escreve livros como ghost-writer e faz consultorias da área de política, além de estar trabalhando em um roteiro de cinema.


 

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